O tão bem conhecido rapper MCK, Angolano, vestido de branco e óculos escuros na foto, utilizou a sua pagina do Facebook para dar seu parecer sobre os últimos acontecimentos envolvendo artistas angolanos de moçambicanos A equipa atenta do ChatOut transcreve para si aquilo que foram as palavras do rapper.
Olá Moçambique!
De um tempo a essa parte, o intercâmbio artístico musical, entre Maputo e Luanda tem sido sistematicamente ferido com momentos de tensão e fricção temperamental, semeada por 4 Eixos fundamentais:
a) arrogância;
b) desproporcionalidade;
c) ciúme legítimo
d) falta de um programas de intercâmbio institucional e artístico baseados no respeito e vantagens recíprocas entre as partes;
a) arrogância;
b) desproporcionalidade;
c) ciúme legítimo
d) falta de um programas de intercâmbio institucional e artístico baseados no respeito e vantagens recíprocas entre as partes;
Essas quatro premissas vão dando lugar a incendiárias provocações, a nível das redes sociais, acesos debates, insultos e criticas, entre os mais diversos actores, músicos, jornalistas, público e afins... desembocando com pronunciamento do Ministro da Cultura e Turismo moçambicano, Silva Dunduro, anunciando actos preparatórios de um pacote legislativo que vai regular o consumo de música estrangeira no país.
Proteccionismo vs Mercado Livre, qual é o melhor caminho?
Penso ser justo, a valorização do produto nacional, entretanto, vivemos numa aldeia virtual e tenho noção que decretos não regulam sentimentos e gostos musicais, por isso, anterior a esse esforço deve existir maior incentivo, fomento e investimento cultural...
Penso ser justo, a valorização do produto nacional, entretanto, vivemos numa aldeia virtual e tenho noção que decretos não regulam sentimentos e gostos musicais, por isso, anterior a esse esforço deve existir maior incentivo, fomento e investimento cultural...
Desde modo, convido Moz e Mangops a reflectirem sobre os 4 Eixos da nossa relação.
1 Arrogância:
Não me identifico com a postura arrogante e materialista que tem sido marca de alguns irmãos angolanos que visitam determinados Estados, vociferando que "podem tudo e fazem acontecer" , desrespeitando pessoas, culturas , leis, regras e valores regionais estabelecidos, por força da quantidade de dinheiro que carregam nos cartões, cuecas, malas e bolsos, ao ponto de estimular assaltos, repulsa e inflação simulada em certos mercados... Infelizmente, tal arrogância, também acompanha alguns artistas sobretudo em paragens como Maputo, Lisboa, Praia, Rio de Janeiro e Dubai...
Não me identifico com a postura arrogante e materialista que tem sido marca de alguns irmãos angolanos que visitam determinados Estados, vociferando que "podem tudo e fazem acontecer" , desrespeitando pessoas, culturas , leis, regras e valores regionais estabelecidos, por força da quantidade de dinheiro que carregam nos cartões, cuecas, malas e bolsos, ao ponto de estimular assaltos, repulsa e inflação simulada em certos mercados... Infelizmente, tal arrogância, também acompanha alguns artistas sobretudo em paragens como Maputo, Lisboa, Praia, Rio de Janeiro e Dubai...
2 Desproporcionalidade:
Angola viveu na década 80 e 90 o que Moçambique vive hoje, no que diz respeito ao consumo de música estrangeira, artistas de Cabo Verde e do Brasil, passavam vezes sem contas na Rádio, TV, Discotecas e Palcos nacionais, até surgir uma inversão natural de contexto, uma relação de cumplicidade com produto nacional, uma exaltação das nossas marcas resultante do crescimento quantitativo e qualitativo da nossa produção interna, sem leis e decretos pra dosear o consumo e sentimentos... Houve um brutal investimento público e privado, alguns até mesmo de origem questionável, que embora não tenha gerado uma industria musical como tal, deu lugar a um confortável mercado, que salvo melhor informação, somente perde com Brasil a nível de produção musical geral no panorama lusófono, refiro-me a produção discográfica, volume de vendas , produção videográfica (boa parte produzida em Maputo), Festas, shows e concertos com artistas nacionais, e estrangeiros... Contudo, é importante recordar que não existem culturas superiores, apenas existem culturas diferentes, o que me leva a concluir que Angola e Moçambique gozam de paridade no que o "Talento" diz respeito, entretanto, existe uma Desproporcionalidade relativamente ao volume de produção, investimentos e auto valorização das marcas nacionais, dai a razão, da maior visibilidade de uns em detrimento de outros, cachets altos de uns, e baixos de outros, provocando desse modo desajustes da balança de natureza própria de qualquer mercado concorrencial.
Angola viveu na década 80 e 90 o que Moçambique vive hoje, no que diz respeito ao consumo de música estrangeira, artistas de Cabo Verde e do Brasil, passavam vezes sem contas na Rádio, TV, Discotecas e Palcos nacionais, até surgir uma inversão natural de contexto, uma relação de cumplicidade com produto nacional, uma exaltação das nossas marcas resultante do crescimento quantitativo e qualitativo da nossa produção interna, sem leis e decretos pra dosear o consumo e sentimentos... Houve um brutal investimento público e privado, alguns até mesmo de origem questionável, que embora não tenha gerado uma industria musical como tal, deu lugar a um confortável mercado, que salvo melhor informação, somente perde com Brasil a nível de produção musical geral no panorama lusófono, refiro-me a produção discográfica, volume de vendas , produção videográfica (boa parte produzida em Maputo), Festas, shows e concertos com artistas nacionais, e estrangeiros... Contudo, é importante recordar que não existem culturas superiores, apenas existem culturas diferentes, o que me leva a concluir que Angola e Moçambique gozam de paridade no que o "Talento" diz respeito, entretanto, existe uma Desproporcionalidade relativamente ao volume de produção, investimentos e auto valorização das marcas nacionais, dai a razão, da maior visibilidade de uns em detrimento de outros, cachets altos de uns, e baixos de outros, provocando desse modo desajustes da balança de natureza própria de qualquer mercado concorrencial.
3 Ciúme legitimo:
Tal como no desporto, a arte também enuncia o determinismo da frase " não se perde jogando em casa" , embora me revejo nesse frase, tenho plena convicção que a mesma não é verdadeira em absoluto, e sempre que o inverso toma lugar, é de todo tolerável uma dose de ciúmes, pois, em casa mandamos nós!
Tal como no desporto, a arte também enuncia o determinismo da frase " não se perde jogando em casa" , embora me revejo nesse frase, tenho plena convicção que a mesma não é verdadeira em absoluto, e sempre que o inverso toma lugar, é de todo tolerável uma dose de ciúmes, pois, em casa mandamos nós!
4 A criação de programas artísticos e institucionais baseadas no respeito e vantagens recíprocas, seria a tónica de equilíbrio da balança, e o estilo musical rap pode ser apontado como um bom exemplo e ensaio de cooperação saudável e de sucesso, ou seja, o Movimento Hip Hop angolano, respeita, ouve e "grama maningue o Rap Moz" , a título particular, além de ter editado cá o álbum " Babalaze" de Azagaia em 2008, rimei no "Cubaliwa" em 2013 e convidei o mano pro meu Concerto no Cine Atlântico em 2014... Conduzo um programa radiofónico a perto de 5 anos e passo apenas rap em português, artistas como Iveth, G Pro Fam, G2, Hernani Da Silva, Duas Caras, Rage, Asmal, Slim Nigga e outros, são divulgados regularmente... e atenção que essa apreciação remonta- nos a General D, são vivamente consumidos e divulgados cá, pelos Bloggers, apreciadores alternativos e outros programas radiofónicos, sendo que, algumas destas referências recebem convites regulares para colaborações artísticas e participação em eventos em Angola... Se aprofundássemos esse modelo de relações baseada no respeito e vantagens recíprocas, e evoluirmos pra um intercâmbio mais institucional, através de programas ministeriais, empresariais, sociais, culturais, e outros de apoio e fomento de uma equidade cultural, e a seguir estendermos o projecto aos outros estilos como a Marrabenta e Semba, o Kú Duro e Pandza, Kizomba e Passada, Afro House e outros, teríamos resultados bem melhores que os actuais, e estaríamos a realizar o sonho da Unidade africana idealizada por Samora e Neto....
É chegada hora de criarmos o quinto eixo, fundamentada no amor e amizade fraterna de dois povos irmãos com laços sanguíneos e históricos inalteráveis.
Sugiro paz, respeito e unidade!

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